{"id":3532,"date":"2016-06-17T05:54:01","date_gmt":"2016-06-17T05:54:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubederh.com.br\/?p=3532"},"modified":"2016-06-17T05:55:07","modified_gmt":"2016-06-17T05:55:07","slug":"destruimos-talentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/?p=3532","title":{"rendered":"\u201cDestru\u00edmos talentos\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><a title=\"Posts by Adriana Salles Gomes\" href=\"http:\/\/www.revistahsm.com.br\/autores\/adriana-salles-gomes\/\" rel=\"author\">Adriana Salles Gomes<\/a>\u00a0and\u00a0<a title=\"Posts by HSM\" href=\"http:\/\/www.revistahsm.com.br\/autores\/hsmadmin\/\" rel=\"author\">HSM<\/a>\u00a0|\u00a0fev 13, 2016\u00a0|\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistahsm.com.br\/topicos\/lideranca-e-pessoas\/\" rel=\"category tag\">lideran\u00e7a e pessoas<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistahsm.com.br\/lideranca-e-pessoas\/destruimos-talentos\/#respond\">0 Coment\u00e1rios<\/a><\/p>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.bestofcantho.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Ken-Robinson-1440x564_c.jpg\" width=\"1440\" height=\"564\" \/><\/div>\n<div>\n<h2>\u00c9 preciso reverter o rompimento entre neg\u00f3cios e educa\u00e7\u00e3o com urg\u00eancia, diz Ken Robinson, em entrevista exclusiva<\/h2>\n<p>Como diagnosticou recentemente Carlos Arruda, especialista em competitividade da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, o Brasil n\u00e3o tem capacidade humana para se sustentar como um pa\u00eds desenvolvido. A raiz disso pode ser distinta do que pensa a maioria, contudo, pois talentos n\u00e3o faltam; eles s\u00e3o sistematicamente destru\u00eddos. \u00c9 o que diz sir Ken Robinson, uma das maiores autoridades mundiais em inova\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas sobre o Brasil, mas sobre boa parte do planeta. Esse brit\u00e2nico que migrou para a Calif\u00f3rnia afirma que, pior do que isso, a rela\u00e7\u00e3o entre a educa\u00e7\u00e3o e os neg\u00f3cios foi rompida e o resultado pode ser desastroso.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva \u00e0 editora-executiva Adriana Salles Gomes, Robinson alerta para uma revolu\u00e7\u00e3o silenciosa (indesej\u00e1vel para as empresas) j\u00e1 em curso, diz que a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na personaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, compara a inova\u00e7\u00e3o com o rock e recomenda aos l\u00edderes que se concentrem em criatividade, entre outros conselhos pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Voc\u00ea escreveu o livro Out of Our Minds 11 anos atr\u00e1s e agora o est\u00e1 relan\u00e7ando com grande impacto \u2014no Brasil, ser\u00e1 intitulado Libertando o Poder Criativo. Quero saber se quem leu a primeira edi\u00e7\u00e3o precisa ler essa tamb\u00e9m\u2026<\/p>\n<p>Eu digo \u00e0s pessoas que leram a primeira edi\u00e7\u00e3o que a joguem fora e comprem esta [risos]. \u00c9 um livro completamente novo. Muito do que falei em 2001 ainda \u00e9 verdade, s\u00f3 que aconteceram milhares de coisas nesses anos que n\u00e3o podiam ser previstas, da recess\u00e3o mundial aos smart\u00adphones, iPads e redes sociais. Se um livro \u00e9 sobre a necessidade e a forma de mudar, tudo isso pesa.<\/p>\n<p><strong>A economia e a tecnologia influenciam tanto assim?<\/strong><br \/>\nNem \u00e9 a tecnologia em si que influencia, mas a maneira como as pessoas a usam, que \u00e9 imprevis\u00edvel. Quando o Twitter foi lan\u00e7ado alguns anos atr\u00e1s, sinceramente, ele me pareceu a mais rid\u00edcula das ideias. Mas, nos \u00faltimos cinco anos, virou esse fen\u00f4meno global, tomando parte em revolu\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias de mercado, e ajudou a mudar a forma como as pessoas se comunicam e os assuntos de que tratam. At\u00e9 eu me converti ao Twitter.<\/p>\n<p>As ferramentas da internet e os games podem ajudar muito a excitar a imagina\u00e7\u00e3o e a energizar crian\u00e7as e jovens, o que \u00e9 urgente. Agora, n\u00e3o substituem as pessoas na educa\u00e7\u00e3o. Hans Zimmer, que \u00e9 um dos compositores de m\u00fasicas para filmes mais bem-sucedidos do mundo todo \u2014e curiosamente foi expulso de cinco escolas\u2014, me contou recentemente que comp\u00f5e todas suas m\u00fasicas no computador, mas faz quest\u00e3o de grav\u00e1-las no est\u00fadio com m\u00fasicos tocando, porque nenhum software substitui a vitalidade e a sensibilidade humanas. Eu tinha tudo isso a dizer e muito mais. Aprendi muito nesses dez anos de intenso contato com as empresas, por exemplo; isso enriqueceu demais minha experi\u00eancia, que era principalmente com escolas, universidades e governos. E tamb\u00e9m vir para a Calif\u00f3rnia foi um grande aprendizado.<\/p>\n<p>Sabe o que mudou essencialmente? Ficou muito mais forte a ideia de que temos a tend\u00eancia de fazer pouco uso institucional do talento das pessoas e que assistimos a um enorme desperd\u00edcio de potencial humano e possibilidades.<\/p>\n<p><strong>Mas as empresas entendem de fato que h\u00e1 esse desperd\u00edcio de potencial humano e que ele afeta os neg\u00f3cios?<\/strong><br \/>\nEsse desperd\u00edcio afeta a economia inteira! A educa\u00e7\u00e3o das pessoas e a economia s\u00e3o coisas intimamente ligadas e essa \u00e1rea vai muito mal. Vejo que algumas empresas est\u00e3o come\u00e7ando a entender a gravidade do problema. Um ponto favor\u00e1vel ao mundo dos neg\u00f3cios \u00e9 que, nele, as pessoas est\u00e3o sinceramente interessadas na inova\u00e7\u00e3o, apenas n\u00e3o sabem como promov\u00ea-la.<\/p>\n<p>Por anos e anos as empresas partiram do pressuposto de que, ao serem formalmente instru\u00eddas, as pessoas ter\u00e3o as habilidades, aptid\u00f5es e compet\u00eancias de que os neg\u00f3cios precisam. Os pais, por sua vez, tamb\u00e9m presumiam que, uma vez educados, seus filhos teriam emprego e renda. S\u00f3 que essa rela\u00e7\u00e3o entre neg\u00f3cios e educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 rompida; n\u00f3s destru\u00edmos talentos.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o fortes essas afirma\u00e7\u00f5es, sir Ken.<\/strong><br \/>\nSim, e s\u00e3o absolutamente realistas. As escolas est\u00e3o sendo sufocadas com essas exig\u00eancias de testes padronizados e, por isso, passam uma vis\u00e3o estreita de habilidades. O resultado \u00e9 que os futuros adultos perdem o contato com sua criatividade, ironicamente a habilidade mais necess\u00e1ria \u00e0s empresas na atualidade.<\/p>\n<p>O sistema de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 baseado em uma s\u00e9rie de mal-entendidos entre as comunidades educacionais e as de neg\u00f3cios \u2014e os prop\u00f3sitos comuns de ambas.<\/p>\n<p><strong>Como desfazer o n\u00f3? Por exemplo, no caso do Brasil, testes padronizados s\u00e3o a regra absoluta, no acesso ao ensino superior, na m\u00e9trica de desempenho Enem.<\/strong><br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio fazer uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o. Uma das raz\u00f5es \u00e9 que o mundo j\u00e1 se encontra em estado de revolu\u00e7\u00e3o, pois vem mudando r\u00e1pida e profundamente. Os desafios que nossos filhos enfrentar\u00e3o n\u00e3o t\u00eam precedentes, seja na \u00e1rea de energia, nas quest\u00f5es culturais, nos alimentos<br \/>\n\u2014temos epidemias de inani\u00e7\u00e3o e obesidade ao mesmo tempo! H\u00e1 uma gigantesca e dific\u00edlima agenda para a humanidade enfrentar no futuro pr\u00f3ximo. O que permitir\u00e1 que lidem com isso? Nos anos 1920, H.G. Wells, escritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, dizia: \u201cA civiliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 em uma corrida entre a educa\u00e7\u00e3o e a cat\u00e1strofe\u201d. A educa\u00e7\u00e3o o permitir\u00e1, s\u00f3 que revolucionada. E a revolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 em curso; como todas as revolu\u00e7\u00f5es, come\u00e7ou embaixo e n\u00e3o em cima.<\/p>\n<p><strong>O sonho revolucion\u00e1rio da maioria das empresas no Brasil \u00e9 o modelo educacional sul-coreano. O que voc\u00ea pensa dele?<\/strong><br \/>\nO modelo \u00e9 de diversos pa\u00edses da \u00c1sia, como Taiwan, China, e aconteceu no Jap\u00e3o tamb\u00e9m. Seu princ\u00edpio \u00e9 o de promover uma hipercompeti\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as, fazendo-as esfor\u00e7ar-se para absorver mais informa\u00e7\u00f5es, passar em provas, fazer tarefas. Acho que \u00e9 um engano terr\u00edvel, pois se baseia numa regra v\u00e1lida no s\u00e9culo 20 que agora expirou: \u201cSe fizer tudo certo na escola e na universidade, voc\u00ea arrumar\u00e1 emprego\u201d. Por que expirou? Porque isso s\u00f3 funciona quando poucas pessoas t\u00eam diploma universit\u00e1rio. E, al\u00e9m de n\u00e3o haver mais essa garantia, os profissionais que chegam \u00e0s empresas n\u00e3o t\u00eam a compet\u00eancia de que elas precisam, porque pagaram um pre\u00e7o enorme por essa obsess\u00e3o competitiva. Cada crian\u00e7a que passou por esse tipo de sistema e n\u00e3o conseguiu ir para a universidade certa tornou-se um ser humano frustrado, ansioso, deprimido. Ent\u00e3o, desperdi\u00e7amos, ou destru\u00edmos, uma quantidade incomensur\u00e1vel de talentos em nome de um prop\u00f3sito que n\u00e3o \u00e9 mais verdade.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA insatisfa\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o tradicional leva as pessoas para as tecnologias virtuais\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Voc\u00ea falou em revolu\u00e7\u00e3o. Que sinais podemos ver?<\/strong><br \/>\nUm dos motivos pelos quais as pessoas est\u00e3o usando tanto as tecnologias virtuais \u00e9 sua insatisfa\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o tradicional. Preferem aprender sozinhas online. E, quanto mais baratos ficarem os computadores e aparelhos m\u00f3veis, mais gente far\u00e1 isso at\u00e9 tomar o controle da pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o, sem deixar espa\u00e7o para as institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de paradigma genu\u00edna acontece assim. No s\u00e9culo 19, a cidade de Londres dependia de cavalos, que puxavam carruagens e carro\u00e7as, e havia um p\u00e2nico geral por causa de toda a urina dos animais acumulada nas ruas, contribuindo para espalhar doen\u00ad\u00e7as. As pessoas n\u00e3o acharam uma forma de se livrar da urina, mas se livraram dos cavalos \u2014quando inventaram o carro.<\/p>\n<p><strong>V\u00e3o se livrar das escolas\u2026 Algum governo j\u00e1 acusa o golpe?<\/strong><br \/>\nParece que n\u00e3o, tanto que os governos reagem no sentido contr\u00e1rio, porque estreitam ainda mais a vis\u00e3o nas escolas, aumentam sua depend\u00eancia de testes padronizados e despersonalizam cada vez mais a educa\u00e7\u00e3o, tornando-a um processo ainda mais industrial. Eles est\u00e3o fechando os olhos.<\/p>\n<p><strong>Anarquia na educa\u00e7\u00e3o soa como fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os\u2026 \u00c9 saud\u00e1vel ficar sem institui\u00e7\u00f5es? H\u00e1 como reagir?<\/strong><br \/>\nSempre digo a professores e diretores de escolas, pelos quais tenho grande respeito, que, se mudarem o jeito como ensinam e o que fazem na sala de aula, estar\u00e3o revolucionando o sistema educacional. \u00c9 exatamente assim que funciona a mudan\u00e7a social. Quando eu era jovem, na Inglaterra, todos fumavam e ningu\u00e9m usava cinto de seguran\u00e7a em carro. Hoje, quase ningu\u00e9m fuma e todos usam cinto. Uma vez que os h\u00e1bitos mudam e uma nova ideia se torna vital, ela se espalha e revoluciona a cultura rapidamente.<\/p>\n<p><strong>As empresas podem ter um papel a cumprir a\u00ed? Voc\u00ea costuma falar em parcerias criativas entre empresas e escolas\u2026<\/strong><br \/>\nGosto de citar a iniciativa \u201ccapitalismo consciente\u201d, que partiu do empres\u00e1rio John Mackay, da varejista Whole Foods Market, e vem atraindo cada vez mais empresas. Seu racioc\u00ednio \u00e9 de que, apesar de as companhias serem criadas para gerar lucros, elas j\u00e1 podem escolher entre formas \u00e9ticas e n\u00e3o \u00e9ticas de faz\u00ea-lo. No futuro, talvez precisem ser \u00e9ticas, desenvolvendo novos pap\u00e9is ligados a responsabilidade e sustentabilidade em conjunto com as comunidades. Isso vale tanto para a educa\u00e7\u00e3o criativa dentro da pr\u00f3pria empresa, como faz o Google, por exemplo, quanto para sua conex\u00e3o com a comunidade externa, que pode ser feita com as escolas. Nos EUA, h\u00e1 toda uma rede de escolas chamadas Big Picture Schools, em que as crian\u00e7as podem passar dois dias por semana trabalhando em organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o fazendo o que lhes interessa, como est\u00fadios de<br \/>\ndesign, cl\u00ednicas veterin\u00e1rias, delegacias de pol\u00edcia etc. E isso est\u00e1 provando ser muito eficaz. Al\u00e9m disso, muitas empresas mant\u00eam programas internos de educa\u00e7\u00e3o, contabilizando isso como parte do trabalho, e \u00e9 muito bom. A maioria v\u00ea como investimento, n\u00e3o despesa, e n\u00e3o corta o or\u00e7amento na hora do aperto.<\/p>\n<p><strong>Que reforma voc\u00ea sugeriria para o governo brasileiro?<\/strong><br \/>\nCertamente eu aconselharia o Brasil a olhar menos para a Coreia e mais para a Finl\u00e2ndia, embora entenda que \u00e9 dif\u00edcil comparar um pa\u00eds pequeno com um grande. Observe o sistema PISA, da OCDE [Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico], que compara a performance de alunos de diferentes pa\u00edses em matem\u00e1tica e ci\u00eancias, particularmente: a Finl\u00e2ndia sempre se destaca no topo das avalia\u00e7\u00f5es PISA, mas n\u00e3o pratica testes padronizados, nem \u00e9 obcecada por matem\u00e1tica e ci\u00eancias. Refor\u00e7a humanidades, artes, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, projetos pr\u00e1ticos, jogos e, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, vai muito bem em ci\u00eancias e matem\u00e1tica. Enquanto a taxa de desist\u00eancia da escola nos Estados Unidos fica em torno de 30%, na Finl\u00e2ndia \u00e9 zero.<\/p>\n<p><strong>Por conta da necessidade de inovar, o Brasil tamb\u00e9m anda muito preocupado com a falta de interesse das crian\u00e7as em matem\u00e1tica e ci\u00eancias. Humanidades lhes interessam muito mais. O que explica o caso finland\u00eas?<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar, \u00e9 preciso entender que criatividade e inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o dependem nem s\u00f3 das ci\u00eancias, nem s\u00f3 das artes, mas de como as duas \u00e1reas trabalham em conjunto; hoje o crescimento econ\u00f4mico de um pa\u00eds depende de m\u00faltiplos talentos. Agora, h\u00e1 um estudo muito interessante do professor Vivek Wadhwa [autoridade em inova\u00e7\u00e3o do Vale do Sil\u00edcio] sobre o hist\u00f3rico educacional dos l\u00edderes de cerca de 650 empresas de alta tecnologia do Vale. Contra o senso comum, 60% ou mais deles t\u00eam forma\u00e7\u00e3o em artes ou humanidades, e mesmo os cientistas que lideram essas empresas foram para escolas com m\u00e9todo alternativo, como Montessori, quando eram crian\u00e7as. Curioso, n\u00e3o?!<\/p>\n<p><strong>Muito curioso! Voc\u00ea conhece o educador brasileiro Paulo Freire? Talvez por ele ser associado \u00e0 esquerda, a classe empresarial n\u00e3o presta muita aten\u00e7\u00e3o a suas li\u00e7\u00f5es\u2026<\/strong><br \/>\nSou um grande admirador do trabalho de Paulo Freire e ele me inspirou muito quando eu era estudante. Suas preocupa\u00e7\u00f5es com a necessidade de cultivar talentos e habilidades individuais e educar a sensibilidade coincidem exatamente com o que falo. Tamb\u00e9m compartilho suas preocupa\u00e7\u00f5es com essa institucionaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o que aumenta as diferen\u00e7as entre os estudantes. Se precisamos de m\u00faltiplos talentos, precisamos de todos. Todas as crian\u00e7as nascem com talentos maravilhosos; estes s\u00f3 n\u00e3o podem ser destru\u00eddos pelo sistema, e sim alavancados.<\/p>\n<p>Agora, devo dizer que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 sozinho nesse engano: recentemente o presidente Obama falou sobre promover a inova\u00e7\u00e3o e criatividade no sistema educacional dos EUA, ligando isso ao crescimento econ\u00f4mico, e referiu-se apenas a ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica. \u00c9 um erro gigantesco. No Reino Unido, em 1999, o governo me pediu para desenvolver uma estrat\u00e9gia para a criatividade no sistema educacional, o que virou o relat\u00f3rio All Our Futures, e j\u00e1 naquela \u00e9poca montamos um grupo de 15 pessoas que inclu\u00eda desde m\u00fasicos, escritores e dan\u00e7arinos at\u00e9 economistas, cientistas e l\u00edderes empresariais.<\/p>\n<p><strong>Dizem que a gente muda por duas coisas: amor ou medo. Os gestores poder\u00e3o come\u00e7ar a agir por uma dessas emo\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nTemos uma grande chance de os gestores, e as pessoas em geral, agirem, porque tamb\u00e9m s\u00e3o pais, preocupados com o futuro de seus filhos. Estou, ali\u00e1s, escrevendo um novo livro, a ser lan\u00e7ado em 2013, sobre como achar \u201co elemento\u201d, essa paix\u00e3o que todos devem procurar em si, seu talento natural. A primeira regra \u00e9 que n\u00e3o adianta nem os pais nem a escola for\u00e7arem uma crian\u00e7a a aprender matem\u00e1tica. Se ela n\u00e3o quer, \u00e9 por achar entediante ou muito dif\u00edcil. A forma de resolver o problema \u00e9 investir em professores e recursos melhores para a educa\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, e n\u00e3o empurr\u00e1-la excluindo outras mat\u00e9rias. Para comprometer as crian\u00e7as com a educa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea tem de se comprometer pessoalmente com elas, a fim de energiz\u00e1-las. Elas querem ser estrelas do rock ou jogadores de futebol porque isso excita sua imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um amigo meu, o m\u00fasico de rock Brian Cox, agora \u00e9 professor de astronomia em Manchester, na Inglaterra, e est\u00e1 apresentando uma s\u00e9rie de document\u00e1rios na BBC sobre astronomia. Ele se parece com um astro de rock, mas sua outra paix\u00e3o \u00e9, e sempre foi, astronomia. O fato de ele falar apaixonadamente sobre astronomia na BBC aumentou enormemente o n\u00famero de inscri\u00e7\u00f5es para o curso universit\u00e1rio de astronomia. Ele excitou a imagina\u00e7\u00e3o dos jovens. O empres\u00e1rio Peter Diamandis est\u00e1 t\u00e3o interessado em viagens no espa\u00e7o porque, quando crian\u00e7a, sua imagina\u00e7\u00e3o foi ativada pela s\u00e9rie de TV Star Trek [Jornada nas Estrelas]. Eu sempre defendo a personaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, tanto pela percep\u00e7\u00e3o de qu\u00e3o diferentes nossas crian\u00e7as e seus talentos s\u00e3o como pelo reconhecimento da import\u00e2ncia de educar \u2014a educa\u00e7\u00e3o precisa ser vista como uma forma de arte.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cSempre defendo a personaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o; deve ser vista como uma arte\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Voc\u00ea tem dois filhos. Como foi sua \u201ceduca\u00e7\u00e3o-arte\u201d com eles?<\/strong><br \/>\nA primeira observa\u00e7\u00e3o \u00e9 que eles s\u00e3o completamente diferentes em termos de talentos e interesses, o que \u00e9 parte biol\u00f3gico, parte cultural. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais precisamos obrigatoriamente personalizar a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Isso vale para programas de desenvolvimento de empresas?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida, se a empresa est\u00e1 interessada em inova\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o apenas em efici\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Voltemos a seus filhos\u2026<\/strong><br \/>\nHoje, meu filho, James, tem 27 anos e minha filha, Kate, 23, mas, quando eram crian\u00e7as, minha esposa e eu est\u00e1vamos sempre prontos a tentar achar a melhor escola para cada um individualmente. Minha filha, por exemplo, era muito menos impelida por trabalhos acad\u00eamicos convencionais, por\u00e9m mostrava ser \u00f3tima escritora, dan\u00e7arina, com excelente gosto para design e muito h\u00e1bil no relacionamento com as pessoas. J\u00e1 meu filho \u00e9 um \u00f3timo ator, brilhante com os idiomas, mas tamb\u00e9m muito interessado em teorias e trabalhos acad\u00eamicos convencionais, com uma mente voltada para a abstra\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, mais por m\u00e9rito de minha esposa, devo dizer, sempre tentamos coloc\u00e1-los nos ambientes que fossem melhores para eles, e que eram distintos.<\/p>\n<p><strong>Isso me parece quase heroico! Sua mulher trabalhava fora?<\/strong><br \/>\nSim, era professora de teatro em uma escola de Liverpool; dava aulas para crian\u00e7as de 10 anos em uma sala de 42 alunos. Mas ela foi muito pragm\u00e1tica e isso era prioridade nossa. N\u00e3o digo que sempre acertamos, porque \u00e9 um processo e requer muito improviso. Mas o fato \u00e9 que o que funciona para uma crian\u00e7a n\u00e3o funciona necessariamente para outra. Quando viemos para a Am\u00e9rica, tentamos coloc\u00e1-los na mesma escola e tivemos de mudar quando vimos que n\u00e3o funcionava para a Kate. Pod\u00edamos ver a luz indo embora de seus olhos e a tiramos de l\u00e1 para recuperar seu brilho.<\/p>\n<p><strong>Como resumir as recomenda\u00e7\u00f5es do Robinson Report?<\/strong><br \/>\nSua ess\u00eancia vai no sentido de criar um ambiente onde as pessoas se sintam confiantes para tentar, onde novas ideias surgir\u00e3o e come\u00e7ar\u00e3o a florescer. Inova\u00e7\u00e3o, assim como educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 um processo org\u00e2nico, n\u00e3o mecanizado. Consiste em dar \u00e0s pessoas um senso de inspira\u00e7\u00e3o, de possibilidades, de encorajamento e, principalmente, de permiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Trabalhei com os ministros da Educa\u00e7\u00e3o, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio e Cultura da Irlanda do Norte para desenvolver um plano de implementa\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio chamado Unlocking Creativity [Destrancando a Criatividade]. Sei que muitas recomenda\u00e7\u00f5es foram executadas, sim; contaram-me que o relat\u00f3rio gerou cerca de 160 milh\u00f5es de libras de investimento na \u00e9poca e levou a muitos novos neg\u00f3cios. Agora, Oklahoma [EUA] \u00e9 que quer aplicar essas ideias para se tornr \u201co estado da criatividade\u201d.<\/p>\n<p><strong>No contexto corporativo, a quest\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 a permiss\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPense em cultura organizacional como h\u00e1bitos mais habitat \u2014h\u00e1bitos s\u00e3o as formas de comportamento e os valores que as encorajam, a maneira como a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 gerenciada, e o habitat \u00e9 o local f\u00edsico em que as pessoas trabalham. Todas essas coisas t\u00eam grande impacto no que as pessoas sentem como permitido. Se est\u00e1 na cultura da empresa, a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 permitida. Se n\u00e3o est\u00e1, n\u00e3o \u00e9. A maioria das companhias est\u00e1 interessada em inova\u00e7\u00e3o, mas esta n\u00e3o se encontra em seus h\u00e1bitos e habitat, n\u00e3o \u00e9 permitida. E n\u00e3o funciona.<\/p>\n<p><strong>Uma organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica comporta inova\u00e7\u00e3o? Estudos antropol\u00f3gicos detectam muita hierarquia no Brasil.<\/strong><br \/>\nHierarquia serve a quem busca efici\u00eancia e status quo, mas n\u00e3o se surpreenda se n\u00e3o houver inova\u00e7\u00e3o nesse ambiente. Inova\u00e7\u00e3o requer m\u00faltiplas lideran\u00e7as, n\u00e3o uma \u00fanica, como ocorre na hierarquia. \u00c9 como o rock; n\u00e3o h\u00e1 apenas um jeito de fazer rock, mas muitos, e essa variedade \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Vale a pena entender a rela\u00e7\u00e3o entre a imagina\u00e7\u00e3o, a criatividade e a inova\u00e7\u00e3o numa cultura organizacional. A imagina\u00e7\u00e3o, funda\u00e7\u00e3o de tudo, \u00e9 a capacidade de trazer a nossa mente coisas que n\u00e3o s\u00e3o reais a nossos sentidos. Todos os seres humanos t\u00eam isso e devem ser encorajados a mostrar. A criatividade \u00e9 o processo de ter ideias originais e gerar valor a partir da\u00ed \u2014\u00e9 um processo, n\u00e3o um evento isolado; requer disciplina e uma vis\u00e3o cr\u00edtica das ideias e um balancea\u00admento interessante entre liberdade e controle. A inova\u00e7\u00e3o \u00e9 colocar as boas ideias em pr\u00e1tica. As empresas precisam cultivar a imagina\u00e7\u00e3o de seu pessoal, dar-lhe habilidades para o processo criativo e criar um ambiente em que tudo isso seja valorizado e encorajado. Com esses fatores aplicados, as ideias vir\u00e3o, geralmente de fontes inesperadas, n\u00e3o s\u00f3 das pessoas criativas, como reza a lenda.<\/p>\n<p>Mas, em uma empresa hier\u00e1rquica, isso dificilmente vinga, porque muitas boas ideias v\u00eam de baixo e porque acontecem de maneira melhor quando fluem entre disciplinas diferentes, em equipes multidisciplinares.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea fala em l\u00edder criativo. Qualquer l\u00edder pode ser criativo?<\/strong><br \/>\nSim, potencialmente. O l\u00edder n\u00e3o precisa entender a inova\u00e7\u00e3o, e sim a criatividade. Deve pensar seriamente sobre ela. Como eu disse a Tony Blair [ex-primeiro-ministro brit\u00e2nico] quando ele foi eleito, educa\u00e7\u00e3o diz respeito a promover a criatividade e entend\u00ea-la, mas o governo tinha pol\u00edticas educacionais que a destru\u00edam. E digo o mesmo aos l\u00edderes de empresas.<\/p>\n<p><strong>Explique melhor o processo disciplinado da criatividade\u2026<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tem nada a ver com perder o controle. Voc\u00ea n\u00e3o pode ser um m\u00fasico criativo se n\u00e3o sabe tocar um instrumento, nem um cientista criativo se n\u00e3o souber matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Um dos grandes l\u00edderes atuais \u00e9 Richard Branson e n\u00e3o por ser carism\u00e1tico. De um lado, ele \u00e9 muito liberal, porque se limita a inspirar as pessoas a fazer as coisas, mas seu grupo empresarial \u00e9 bem disciplinado. H\u00e1 o balanceamento.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o cr\u00edtica \u00e9 fundamental e John Lennon ensina isso. Entrevistei Paul McCartney para meu livro The Element, de 2009, e ele descreveu como os dois compunham: come\u00e7avam com o que viesse \u00e0 cabe\u00e7a \u2014frase ou acorde\u2014 e n\u00e3o levantavam enquanto n\u00e3o terminassem. Ao final de uma dessas sess\u00f5es, sa\u00edram para beber, e Paul disse a John: \u201cE se n\u00e3o conseguirmos nos lembrar da m\u00fasica pela manh\u00e3?\u201d. E John respondeu: \u201cSe n\u00e3o pudermos nos lembrar, por que mais algu\u00e9m se lembraria?\u201d [risos].<\/p>\n<p><strong>E como desenvolver a imagina\u00e7\u00e3o, achando seu elemento?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma busca primeiro interna, em que se aprende mais sobre si, e depois externa, para experimentar coisas novas e se p\u00f4r \u00e0 prova. \u00c9 a jornada dupla de descobrir a paix\u00e3o e construir a atitude. Como? Quebrar a rotina \u00e9 uma forma.<\/p>\n<p><strong>O RITUAL IMPORTA, por KEN ROBINSON<\/strong><\/p>\n<p>Como \u00e9 tornar-se um sir? Voc\u00ea vai ao Pal\u00e1cio de Buckingham, em Londres, curva-se diante da Rainha Elizabeth II e ela coloca uma espada em seu ombro. \u00c9 grandioso! Eu fiquei muito orgulhoso, por tr\u00eas motivos: primeiramente, porque inspirar tanta confian\u00e7a nas pessoas \u00e9 um sentimento maravilhoso \u2014voc\u00ea n\u00e3o pode se candidatar a ser \u201csir\u201d, isso tem de partir da vontade alheia; em segundo lugar, porque enchi minha m\u00e3e de orgulho \u2014ela estava com 84 anos, morreu dois anos depois e creio que morreu feliz, porque, para sua gera\u00e7\u00e3o, a Rainha tem uma import\u00e2ncia significativa; em terceiro, porque a Rainha \u00e9 uma pessoa extraordin\u00e1ria, muito querida.<\/p>\n<p>Rituais e mitologias s\u00e3o extremamente importantes. Eu era estudante nos anos 1960 e 1970 e muitos de meus colegas n\u00e3o queriam ir \u00e0 cerim\u00f4nia de gradua\u00e7\u00e3o, achando que era ultrapassada e um tanto rid\u00edcula. Estavam errados. Esses ritos de passagem celebram conhecimentos e conquistas e nos proporcionam um momento de pausa e reflex\u00e3o, rodeados de pessoas que amamos e\/ou admiramos, para entender melhor nossos sentimentos, preparando-nos para os pr\u00f3ximos conhecimentos e conquistas na longa busca que \u00e9 nossa vida. \u00c9 como a jornada do her\u00f3i descrita por Joseph Campbell, e o verdadeiro benef\u00edcio desses ritos de passagem \u00e9 espiritual \u2014no sentido de nos deixar cientes de nossas conquistas e nos fazer sentir orgulho.<\/p>\n<p>Acredito que as empresas tamb\u00e9m devam utilizar rituais para manter uma cultura saud\u00e1vel de inova\u00e7\u00e3o, com o cuidado para que esses rituais n\u00e3o sejam artificiais, mas tenham significado. Eu estive em Las Vegas h\u00e1 pouco tempo, em uma empresa chamada Zappos, que \u00e9 muito bem-sucedida, com uma cultura interna maravilhosa, e a cada trimestre eles fazem um ritual desses, que \u00e9 uma reuni\u00e3o chamada \u201cAll Hands\u201d [Todas as M\u00e3os], em que juntam todos os colaboradores em um grande teatro, para celebrar sinceramente as conquistas das pessoas, financeiras e de outros tipos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>SAIBA MAIS SOBRE KEN ROBINSON<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"http:\/\/alexandreafonso.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Mapas-mentais-despertando-todo-o-poder-criativo-do-c%C3%A9rebro.jpg\" width=\"800\" height=\"449\" \/><\/p>\n<p>Em 1998, o educador Ken Robinson, professor da University of Warwick, liderou uma comiss\u00e3o do governo brit\u00e2nico encarregada de analisar as rela\u00e7\u00f5es entre educa\u00e7\u00e3o, criatividade e economia. O resultado, o relat\u00f3rio All Our Futures, que ficou mais conhecido como Robinson Report, teve imensa repercuss\u00e3o mundial e suas recomenda\u00e7\u00f5es passaram a ser adotadas por atores t\u00e3o distintos quanto o governo da Irlanda do Norte (como parte do processo de paz) e o de Singapura. Desde ent\u00e3o, tornou-se interlocutor frequente de l\u00edderes governamentais e empresariais em busca de inova\u00e7\u00e3o. Robinson foi condecorado Cavaleiro do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico \u2014\u201csir\u201d\u2014 em 2003 e inclu\u00eddo entre \u201cas principais vozes do mundo\u201d em 2005 pelas revistas Time e Fortune e pela emissora de TV CNN, dos EUA. A real popularidade, contudo, veio em 2006, com uma palestra TED, que se viralizou pela internet de maneira impressionante.<\/p>\n<p>Autor de oito livros \u2014entre os quais, Libertando o Poder Criativo, que ser\u00e1 lan\u00e7ado pela HSM Editora\u2014, sir Ken, como costuma ser chamado, vir\u00e1 pela primeira vez ao Brasil em novembro pr\u00f3ximo para falar aos gestores na HSM ExpoManagement. Ele \u00e9 admirador declarado de Paulo Freire e Miguel Nicolelis e se diz ansioso por conhecer o Pa\u00eds, que associa a uma criatividade abundante. Nascido na Liverpool dos Beatles, o especialista morou na Stratford-upon-Avon de Shakespeare e agora vive na Calif\u00f3rnia de Hollywood, dedicando sua vida a garimpar talentos, individual e coletivamente. Sir Ken trata disso tanto em Libertando o Poder Criativo como em seu pr\u00f3ximo livro, Finding Your Element (uma continua\u00e7\u00e3o de The Element), que deve ser lan\u00e7ado em maio de 2013, com dez li\u00e7\u00f5es que pretendem ajudar cada um a descobrir e explorar seu verdadeiro talento.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Essa mat\u00e9ria foi publicada originalmente na edi\u00e7\u00e3o de setembro-outubro de 2012 da revista HSM Management.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriana Salles Gomes\u00a0and\u00a0HSM\u00a0|\u00a0fev 13, 2016\u00a0|\u00a0lideran\u00e7a e pessoas\u00a0|\u00a00 Coment\u00e1rios \u00c9 preciso reverter o rompimento entre neg\u00f3cios e educa\u00e7\u00e3o com urg\u00eancia, diz Ken Robinson, em entrevista exclusiva Como diagnosticou recentemente Carlos Arruda, especialista em competitividade da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, o Brasil n\u00e3o &hellip; <a href=\"https:\/\/www.clubederh.com.br\/?p=3532\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[486,485,36],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3532"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3532"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3532\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3534,"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3532\/revisions\/3534"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubederh.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}